Legion Pulp: They March From Yesterday (Part 2)

Mon Legionnaire

075As promised, here is the second part of this Georges Surdez story which was published in the March 15th edition of Adventure.  I promised to post this in less time than the original readers in 1930 had to wait for it and mistakenly thought I had 30 days but as I was scanning suddenly realized that this magazine was publishing twice monthly (two issues a month from April 1926 to May 1933 and three issues a month from October 1921 to March 1926 !) and that if I wanted to follow up with the second half of the story I needed to post it ASAP.  So here it is…

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Note: I have not read it yet so I’ll try and post a review shortly.

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No Caminho de Casa

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No caminho de casa, do alto da ladeira de calçamento de pedra, diviso a chapada do Araripe. É a quinta-feira que antecede a Páscoa e o céu está encoberto de nuvens. O tempo está bonito pra chover. Está é tudo muito lindo.

De um lado vejo a plantação de milho já pendoando, doutro, o muro velho, marrom e carcomido, tijolos aparentes cá e lá, da casa das palmeiras. À frente o Gado de Seu Antônio sendo tangido para o curral. Borboletas revoam, quando caminho pela baixa, antigo percurso do rio. Está tudo verde, molhado.

Na esquina, antes de dobrar à esquerda, desejo uma feliz Páscoa a Dona Geralda, que me saúda como saúda a todos: com as mãos cheias de bênçãos.

Os cães, nos quintais, latem preguiçosos antevendo a chuva. O sol, esse irmão da sequidão, mas que é o pai da abundância, está ausente só um pouquinho de tempo, o bastante para dar esperanças de um bom inverno. Não precisa nem ser muito bom ou excelente, basta ser um bom inverno.

Um canteiro de tílias brancas, cujas pétalas caem feito chuva alvacenta, me sorri ao largo da rua. As mangueiras, os ninhos, as cicadáceas e as flores vermelhas fazem o mesmo.

Ouço o rumor do rio que passa por trás da casa, correndo faceiro ladeira abaixo. Nuvens escuras e baixas enredam o verde da serra entre seus dedos, num carinho de amantes. As brumas que corcoveiam sobre a chapada são a visão da felicidade.

O cheiro da terra fecunda, o pio dos pássaros e o frescor do tempo na pele.

Já sei que Heitor e Aline estão me esperando, então apresso meu passo. Já consigo ver o rubor do flamboyant em flor que assoma alto por trás da casa.

Essa é a plenitude que encontro no caminho de casa.

 

Crato, CE; Março de 2017, se Deus aprouver.

Resenha: Confesso que Vivi

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Eu li “Confesso que Vivi”, de Pablo Neruda, pela primeira vez no ano 2000, ou foi em 2001. Alberto Brito me emprestou da vastíssima biblioteca de seu pai, Assis Brito. Cá pra nós, acho que Assis Brito, como todo bibliófilo que se preze, tem ciúmes de seus livros. Por isso, acredito que esse empréstimo foi clandestino.

Uma excelente leitura em segredo. Peguei o livro ao acaso, enquanto estudava alguma matéria enfadonha, tipo Direito Comercial, com Alberto. Já tinha ouvido falar de Pablo Neruda, naquela época, mas, devo registrar, não era uma figura histórica muito popular entre os membros da sociedade alternativa caririense de então, pelo menos não do calibre de um Che Guevara, Beato Zé Lourenço do Caldeirão do Juazeiro ou Janis Joplin.

Mas a prosa do cara já me conquistou na primeira frase. Eu confesso que não conhecia suas poesias – mas depois que conheci, não virei fã de suas poesias, talvez porque eu não seja muito fã de poesias, mesmo -, embora ele seja referido por Harold Bloom como o maior poeta ocidental do século passado, um dos cânones da literatura deste hemisfério, e por Gabriel Garcia Márquez, como o maior poeta do século XX. Mas o cara escrevia cada frase…

De toda sorte, sua prosa é afiada como uma navalha e a forma como descreveu sua percepção dos acontecimentos de sua vida é muito lúcida e cativante. Verdadeiramente envolvente.

Tem gente que diz que “Confesso” não chega a ser uma autobiografia, ou que põe aspas e diz “quase” autobiográfico. Amiguinho, isso não importa. O que importa é a história que você conta. O escritor pode inventar tudo, pode modificar os fatos, pode distorcer a realidade: ele cria uma nova existência, ele cria uma nova história. E a fantasia se tornar realidade no coração do leitor.

Pablo Neruda, nom de plume de Ricardo Eliécer Neftali Reyes Basoalto (nome de batismo bastante prosaico, na verdade) amava tanto criar e recriar, que preferiu se recriar com um novo nome. Ou um novo homem. Esse livro sempre me marcou e ainda hoje, quando o releio, sinto-me tocado pelo ser humano que deixou essa mensagem para mim.

Tive o prazer de conhecer sua casa em Valparaiso, chamada de “La Sebastiana”, e a casa de Santiago, chamada de “La Chascona”, em uma homenagem bem-humorada à sua amada Matilde Urrutia. E estou me preparando para conhecer a que dizem ser a mais querida pelo poeta: La Isla Negra. Eu não sou muito fã do Chile (como veem, não sou “muito” fã de “muitas” coisas, mas teimo em gostar delas…), mas a cada visita, sempre descubro algo novo, belo e impressionante nessa tripazinha na América Latina.

Pablo conta sua história (partes dela) com a mesma graça que meu avó Bernardo contava seus causos. Com um leve toque da magia do povo araucano e da força dos Andes.

Em minha opinião, os relatos de Pablo Neruda, por mais fantásticos que pareçam num primeiro momento, retratam o espírito de nossas vidas: o encanto diante da vida nos primeiros anos de vida, os acontecimentos fortuitos da vida de um jovem, ainda mais poeta, amores que se vão na vida de um homem, relatos pungentes da vida sofrida do povo chileno, a luta, a amizade e a arte.

Neruda foi um desses poucos homens que admiro não pelo que fazia, mas pelo que era. E nesse livro ele confessa quem era, e ainda é, no momento presente, para cada um que o lê.

Recomendo.

Resenha: Ivanhoé

Ivanhoé, de Sir Walter Scott é um clássico que atravessa os séculos.

Escrito em 1820, mas tendo como período histórico os anos posteriores à invasão normanda dos reinos saxônios da Inglaterra, lá por volta do ano de 1170, retrata a vida e os feitos de personagens ilustres, alguns históricos – como o Rei Ricardo Coração de Leão, outros lendários – como Robin Hood e seu bando, e outros reconhecidamente inventados, mas tão bem caracterizados e charmosos quanto os demais.

Como todo clássico, este tem suas aventuras e reviravoltas, vilões malvados, lutas, etc. (Por falar nisso, acho que poderíamos estabelecer um especial sobre clássicos, tipo: Moby Dick, Os Três Mosqueteiros, Caninos Brancos, O Chamado da Selva, o Homem que Queria Ser Rei, Um Conto de Duas Cidades, O Conde de Monte-Cristo, Dom Quixote…).

Comprei esse livro num sebo de Fortaleza em 2011 e li, à época, e à força, até a página 23. Algumas vezes recomecei e parei, nunca avançando além da cena em que o Prior Aymer e o templário Brian de Bois-Guilbert chegam ao castelo de Rotherwood, lar de Cedric, o Saxão. Pois é, vocês devem ter dormido apenas com a descrição, imaginem eu.

Mas eis que chegou um dia, em março deste ano, em que, até de forma inopinada, eu avancei dos umbrais do lar do nobre saxão para o fim da história, num espaço de três dias. E olha que falamos de um catatau de mais de seiscentas páginas. Mas que são seiscentas páginas deliciosas e que foram traduzidas a contento pelo Brenno Silveira e publicadas pela Editora Círculo do Livro.

É daquele tipo de livro que prende o leitor e que atrapalha sua atenção para com todo o resto de sua vida (contas a pagar, fetas, encontro com os amigos) na ânsia de continuar a leitura (tipo Harry Potter, pra quem ama Harry Potter).

Sir Walter Scott consegue recriar a sociedade inglesa daquele tempo, mostrando os preconceitos para com os judeus (e os do próprio autor), a desfaçatez de autoridades eclesiásticas, as cabeças-duras dos nobres saxões, os conflitos com os normandos, as conversas hilárias e as estripulias das pessoas da época.

É um livro delicioso. Um dos quais ressuscitou o romance de cavalaria na Europa.

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Toda Luz

Resenha: Toda Luz que Não Podemos Ver

Toda Luz

Esse aqui está bem fresquinho em minha memória e em sua emoção.

Livros de guerra são verdades incômodas para nós que não as vivemos. Em “Toda Luz que Não Podemos Ver”, do americano Anthony Doerr, fica patente o sentimento de perda, o vazio, da falta de justificativas, razões lógicas, da guerra e da loucura do homem.

A história tem como cenário principal a II Guerra Mundial, assim mesmo com letras maiúsculas, porque foi importante e é ainda mais importante nos lembrarmos de lutar todos os dias contra a arrogância de nos acreditarmos mais especiais que os outros, e de extirparmos de nossa sociedade a intolerância, o preconceito e a maldade.

Bem, mas estou tergiversando, a narrativa trata de Marie-Laure, moça francesa, cega e cujo pai trabalha como chaveiro do Museu Nacional de História Natural, em Paris. De Werner Pfenning, garoto alemão de Zollverein, órfão, que descobre cedo seu amor pela ciência e por rádios.

Diferentemente de outras histórias que se passam na Segunda Guerra Mundial, esta está livre de clichês, pelos menos os inúteis ou de mau gosto. A narrativa é fluida e prendeu minha atenção, apesar de ser, por muitas vezes, doloroso de se ler.

O autor conseguiu criar, ou recriar, o mundo de Marie, que gosta de caramujos e livros de Júlio Verne, com bastante verossimilhança. Bem assim a vida sofrida do jovem Werner. Esses dois jovens, que, apesar da distância e da vida, têm seus destinos entrelaçados. O que me faz pensar, melhor dizendo, lembrar que cada pessoa que encontramos nessa vida tem uma importância que desconhecemos. E ás vezes, preferimos ignorar.

A história trata, também, de ciência, de conflitos humanos, de erros, de sofrimento e de uma joia famosa, e um Sargento-Mor Alemão que a busca. Os capítulos se alternam no tempo, criando e resolvendo mistérios.

Recomendo porque é uma história boa, porém, como já disse, dorida. Convém registrar que o livro foi premiado com um Pulitzer na categoria ficção, um dos maiores prêmios da língua inglesa, o que, por si só, já diz muito.

Gostaria poder dizer mais, ou escrever melhor, mas essa não é minha história, bem que poderia ser a história de alguém que viveu, ou ainda vive, a milhares de quilômetros daqui.

A lição mais importante que tirei do livro foi que não se pode vencer sempre o mundo e é imprescindível aprender a viver com nossas perdas, elas são nada mais que naturais nessa existência. E que toda pessoa que se julga “do bem” tem o dever de lutar contra a maldade que habita em seu próprio coração, a cada dia de sua vida.

Disponível nas melhores livrarias… mas a versão digital da Amazon tá mais barata, por volta de R$ 19,00. Se você gosta (muito) de papel, os valores são similares entre as livrarias e realmente mais caros.

Talvez seja a hora de uma mudança de paradigmas, que tal? O meio ambiente agradece, os correios agradecem, você recebe imediatamente o arquivo digital, sua mochila agradece, suas prateleiras agradecem, os livros digitais são seus, sempre serão seus e você pode legar a quem quiser. Fica a dica.

Eurico, o Presbítero

Para que esse blog não se perca sem uso e para contentar alguns fiéis amigos que o acompanham, como também para satisfazer um crescente desejo meu de escrever sobre o que gosto muito, que são histórias, sobretudo as escritas, DECIDI escrever resenhas sobre livros que li e, quem sabe, iniciar outra coisa que gosto tanto quanto livros: discuti-los.

O primeiro livro é bastante especial para mim, não à toa é um de meus prediletos, se não for “o” preferido; trata-se de “Eurico, o Presbítero”, obra de Alexandre Herculano, escritor português do Século XIX. Publicado pela primeira vez em 1844…

Ah, não vou enveredar por esse caminho. Se você quiser uma resenha histórica ou uma crítica literária profissional, creio que encontrará facilmente na internet. Minha ideia é compartilhar minha opinião e minha paixão.

O livro, muito bem escrito, naquele português d’antanho, relata a história de Eurico, oficial de baixa patente, um gardiing ou gardingo, da corte do Rei Vítiza, Senhor dos Godos do Oeste, historicamente mais conhecidos como Visigodos, povo que, conforme diz o próprio escritor:

Nenhuma das tribos germânicas que, dividindo entre si as províncias do império dos césares, tinham tentado vestir sua bárbara nudez com os trajos despedaçados, mas esplêndidos, da civilização romana soubera como os Godos ajuntar esses fragmentos de púrpura e ouro, para se compor a exemplo de povo civilizado”.

Mas que se afastou do luxo do paço em virtude de uma decepção amorosa: acredita que seu amor fora rejeitado pela bela filha do Duque Fávila da Cantábria, Hermengarda. Fez votos de castidade e entrou para a igreja tal como era no período visigótico, como presbítero, com funções similares ao que seria hoje um padre.

A palavra do dia é “sofrência”, minhas crianças. Eurico era um guerreiro de primeira qualidade que se viu rejeitado pela gatinha rica, pirou, entrou para o sacerdócio, trocava a noite pelo dia, subindo pelos despenhadeiros, vendo a hora se estabacar nos precipícios, escrevendo blogs melosos e sofridos, passando as madrugadas a escrever cânticos a Deus e canções sertanejas falando, ora com amor, ora com ódio, da bela Hermengarda, da noite, da solidão e do sol, mandando e recebendo mensagens de amigos pelo whatsapp da época, as boas e velhas cartas, além de outros leriados mais e filosofando sobre a vida e a morte da bezerra.

Ou seja, roía até não mais poder. Adorei.

E aí, Allan, o que acontece”?

Meus amiguinhos, respondo para vocês: os árabes. Era o Século VIII, e os muçulmanos invadiram a Península Ibérica.

Louco para terminar seu sofrimento, Eurico cata sua armadura, espada, escudo, lança, mangual, martelo de guerra, machado, punhal, – achei o máximo! – que estavam enterrados em algum lugar da Hispânia, e parte com mais de mil para matar árabes. Mais politicamente incorreto, impossível. E diz para si mesmo: “Vou morrer como herói e, de lambuja, mandar um recado para aquela ingrata da Hermengarda”.

Mas no seguinte tom:

Não eras tu emanação e reflexo do céu? Por que não ousaste, pois, volver os olhos para o fundo abismo do meu amor? Verias que esse amor do poeta é maior que o de nenhum homem; porque é imenso, como o ideal, que ele compreende; eterno, como o seu nome, que nunca perece”.

Pronto, assim surgiu a lenda do Cavaleiro Negro. E tome-le lutas, espadadas, lançadas, frechadas, gente morrendo a rodo, sangue pelas canelas, correrias a cavalo, traições, sequestros, resgates, tudo bem ambientado em terras D’Espanha, recheado de atos heroicos, discursos de arrepiar, diálogos empolados, roedeira, amor não correspondido – correspondido, amores impossíveis, etc, etc e, é claro, etc (parafraseando o Fantástico Senhor Ló).

Nem precisa dizer que é minha cara.

Assim, recomendo para quem gosta do gênero capa e espada, acurada pesquisa histórica, a prosa poética de Alexandre Herculano, um dos grandes escritores de nossa língua portuguesa, devaneios de apaixonados e drama.

Disponível em formato de bolso pela L&PM Pocket e gratuitamente pela internet, nos formatos digitais PDF, Epub e Mobi, no site http://lelivros.today/book/download-eurico-o-presbitero-alexandre-herculano-em-epub-mobi-e-pdf/, http://projectoadamastor.org/eurico-o-presbitero-alexandre-herculano/ e http://baixarebook.com/2016/03/14/livro-eurico-o-presbitero-alexandre-herculano-pdf-mobi-ler-online/.

Sor Alexandre Herculano já há muito repousa sob a lousa alva e sagrada em plagas portuguesas e não se incomodará se você baixar sua história. Mantenha a lenda viva.

E deleite-se.

Abraços, até a próxima.

20160807_135146p.s.: Que tal postarmos duas vezes por semana?

Leitura dinâmica X Paz de Espírito

Você cresce tentando fazer tudo mais rápido, fazendo cursos de leitura dinâmica na faculdade, comprando livros sobre o assunto e treinando ler com uma régua cobrindo a metade inferior das letras nos livros.

Você até consegue acelerar sua leitura, ficando fera nisso e eliminando a vocalização e a subvocalização.

Aí chega o dia em que toda essa velocidade te incomoda, que sua concentração é no máximo tênue, que seu foco é a rapidez com que voa sobre as palavras, e não a compreensão do significado da frase, ou mesmo do texto inteiro – e você finalmente percebe que esta bendita leitura dinâmica é uma rematada besteira.

Que prazer eu teria de conhcer Paris ou Veneza na garupa de uma moto a 120 quilômetros por hora? Sem tempo para sentir os aromas, ouvir os sons e ter as sensações do lugar?

O bom da leitura é curti-la sem pressa, saboreando cada letra, como se fosse a única uva doce em sua boca. Depois você cospe as sementes e põe outra na boca.

Devagarinho, com atenção e carinho. Absorvido, intenso e revigorante. Engrandecedor, renovador e revolucionário.

Fazendo de nós uma nova pessoa, nascendo de novo, como Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou.

E por aí vai.